
Por: Maria Salete Alves Rangel
A maioria da população mora em cidades, o que acarreta modificações
ao sistema natural, como a impermeabilização do solo, pavimentação
e construções, a utilização maciça de materiais
como vidro, ferro, cerâmicas, a redução drástica
da cobertura vegetal, aumento da poluição atmosférica,
hídrica, visual e sonora. O processo de urbanização é
irreversível, devendo-se buscar uma maneira de tornar este ambiente
o mais próximo possível do ambiente natural, com a preservação
ambiental proporcionando uma melhor qualidade de vida à população
da cidade.
Arborizar uma cidade não significa apenas plantar arvores em ruas,
jardins e praças, criar áreas verdes de recreação
publica e proteger áreas verdes particulares. Além disso, a
arborização deve atingir objetivos de ornamentação,
melhoria microclimática e diminuição da poluição.
O programa de arborização deve estabelecer para cada rua ou
padrão de rua, a espécie e o porte de árvore a utilizar,
indicando se o plantio será de um ou ambos os lados; definir paisagisticamente
se o plantio será regular, com um única espécie ou intercalado
com espécies diferentes a cada determinado número de quadras
ou totalmente misto, dentro de padrões de porte consideráveis.
A escolha das espécies é um fator de grande importância
no planejamento da Arborização Urbana. Alguns aspectos relacionados
com as características das espécies a serem usadas devem ser
observados:
- A espécies deve estar adaptada ao clima;- Rusticidade; - Resistência
a pragas e doenças; - Crescimento moderado; - Utilizar a mesma espécie
em toda a rua ou para cada lado da rua; - Raízes pivotantes profundas;
- Equilibrar o número de arvores exóticas e nativas; - As espécies
devem ter forma e tamanho da copa compatível ao espaço físico;
- Dar preferência ás espécies que apresentem folhagem
perene e raízes adaptáveis ao espaço físico disponível;
- Evitar árvores com espinhos no tronco, com flores muito grandes ou
de perfume ativo e com folhagem pilosa; - Não apresentar princípios
tóxicos;
Outro aspecto importante a ser também observado quando da escolha de
espécies para arborização urbana é o porte das
arvores quando adultas. Em canteiros centrais de avenidas e em ruas calçadas
largas, pode-se optar pelo uso de árvores de porte grande (mais de
10m) ou médio. No entanto, em calçadas estreitas, deve-se optar
por espécies de pequeno (até 5m de altura) e médios porte(de
5 a 10m de altura). Sob fiação, a escolha deve recair sobre
espécies de pequeno porte, de modo a não provocar problemas
na rede elétrica. Se esses cuidados não forem tomados, em pouco
tempo haverá necessidade de podas, que deformam e tiram a beleza natural
das árvores.
O tipo de floração e, principalmente, a cor das flores, deverão
estar de acordo com o entorno, formando um todo agradável na paisagem,
em combinação com os elementos construídos e com restante
da vegetação. Deve ser evitado o uso de espécies que
produzem flores muito grandes que, quando caem, tornam as calçadas
escorregadias representando perigo para os transeuntes, além da sujeira
que acumulam nas ruas. Também não são recomendadas espécies
com flores que exalam perfume muito acentuado, bem como aquelas que produzem
muito pólen, podendo provocar alergia em algumas pessoas (como por
exemplo, a espirradeira).
O uso de espécies arbóreas nativas na arborização
urbana ainda não se constitui em uma prática comum nos planejamentos
urbanos, levando-se em conta a grande diversidade de nossa flora. A maioria
das ruas das nossas cidades são arborizadas com espécies exóticas
(cerca de 80%) que, em alguns casos, tem contribuído para a extinção
de alguns pássaros nativos em razão da mudança nos seus
hábitos alimentares. Uma das razões para tal fato é o
desconhecimento pela população e órgãos municipais,
das nossas espécies nativas; apenas algumas espécies, como os
ipês, por exemplo, são conhecidos e procurados pelo público
em geral. Torna-se necessário, campanhas de educação
ambiental, enfocando a grande riqueza da nossa flora nativa e as potencialidades
de muitas espécies para uso em programas de arborização
urbana.
É evidente que muitas das espécies nativas não são
adequadas para a arborização urbana devido ao porte muito elevado,
raízes muito volumosas, frutos grandes, ou galhos que se quebram com
facilidade. Entretanto, a grande maioria pode ser plantada em praças,
parques e grandes avenidas. As plantas de espécies nativas devem ser
preferidas em relação às exóticas, pois estão
mais adaptadas às condições climáticas do local,
tendo, portanto, maiores chances de sobreviver e desenvolver-se.
Espécies exóticas são usadas em alguns casos, mas a própria
preservação das espécies nativas pode começar
pela arborização urbana. A vegetação em uma cidade
é um serviço urbano essencial, como o é a distribuição
de energia elétrica, telefonia, abastecimento de água, limpeza
urbana e iluminação pública. O planejamento, a implantação
e a manutenção das árvores na cidade devem observar normas
e especificações técnicas para que satisfaça as
necessidades da população, especialmente se considerarmos que
qualidade de vida é um bem que precisa ser desejado planejado e colocado
em prática pelos cidadãos e seus representantes políticos.